terça-feira, janeiro 11, 2005

Branco

O frio faz-me mergulhar em pensamentos perdidos. De repente dou por mim a relembrar coisas que julgava já ter esquecido...ideias do passado, olhares antigos, sons de outrora.
À minha frente uma folha de esquiço em branco, sem nada de novo para contar, espera ansiosamente que a colecção sem fim de grafites a percorra e lhe traga novas histórias, novas vidas, novos traços. Não lhe concedo esse desejo. Olho pela janela... Lá fora milhares de cores confundem-se com a caixa de lápis que tenho em cima do estirador. A luz do candeeiro cria um palco debaixo dos meus olhos. Cenógrafa, coreógrafa, crio um bailado. A sombra dos bailarinos sobre a folha branca, entre piruetas, pas-de-chats e balancés, devolve-lhe a vida. Subitamente, senti imensas saudades das minhas sapatilhas de pontas, do ritual de apertar as fitas de cetim em torno da perna...
Saí e fui dançar.