quarta-feira, janeiro 26, 2005

Sorriso

Dispo-me desta solidão que me aperta a alma e corro para o sítio de sempre. Todos à minha volta são estranhos seres incontornáveis e imunes de mim.
Penso-me.
Um coração desfeito em pedaços de ti, agora colado na esperança de um dia voltar a viver.
Olho-te.
Olhos tristes de contentamento, mãos frias de calor, ar infeliz de conquista. Uma alegria envergonhada de não ser alegre salta-te desse sorriso rasgado de tristeza.
Espero.
Sabes que gosto de chorar.
Talvez por ser triste. Talvez porque não chorar signifique alegria. Talvez por saber que quem não chora também não é alegre. Ou então é. Não importa. Gosto.
Sinto-te em mim como se fosse a primeira vez. Um cuidado já esquecido, um olhar atento a todas as descobertas. A voz quente que me segreda ao ouvido histórias de encantar. Como se tudo fosse uma novidade.
Tal como com as crianças, o interesse morre-te quando deixa de ser novo. Qual a vontade do já visto? Do já conquistado?
Olho os outros.
Sorrio.

Morreste-me.