quarta-feira, janeiro 26, 2005

Sorriso

Dispo-me desta solidão que me aperta a alma e corro para o sítio de sempre. Todos à minha volta são estranhos seres incontornáveis e imunes de mim.
Penso-me.
Um coração desfeito em pedaços de ti, agora colado na esperança de um dia voltar a viver.
Olho-te.
Olhos tristes de contentamento, mãos frias de calor, ar infeliz de conquista. Uma alegria envergonhada de não ser alegre salta-te desse sorriso rasgado de tristeza.
Espero.
Sabes que gosto de chorar.
Talvez por ser triste. Talvez porque não chorar signifique alegria. Talvez por saber que quem não chora também não é alegre. Ou então é. Não importa. Gosto.
Sinto-te em mim como se fosse a primeira vez. Um cuidado já esquecido, um olhar atento a todas as descobertas. A voz quente que me segreda ao ouvido histórias de encantar. Como se tudo fosse uma novidade.
Tal como com as crianças, o interesse morre-te quando deixa de ser novo. Qual a vontade do já visto? Do já conquistado?
Olho os outros.
Sorrio.

Morreste-me.

domingo, janeiro 23, 2005

...

Ausência. Brilho. Ciúme. Desejo. Encontro. Fantasia. Gosto. Horas. Inveja. Jogo. Lua. Morte. Nunca. Olhares. Paixão. Química. Risos. Sabor. Timidez. Último. Vingança. Xadrez. Zumbido.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Sim, meu amor

"O telemóvel ligado é para lhe dar o benefício da dúvida. Não que ele mereça. Combinou comigo e agora deixa-me pendurada. Não é a primeira vez. Acontecem-lhe sempre impedimentos de última hora, reuniões imprevistas, problemas com o carro.
Mas não tem importância. Este louro que meteu conversa comigo, aqui à minha esquerda, não está nada mal. Em princípio, não aprecio louros, mas não me apetece ter este ar abandonado, não hoje. Que fui ao cabeleireiro fazer madeixas, estreei este vestido preto com um decote provocante e usei o perfume caríssimo das grandes ocasiões. Pus ao pescoço o diamante que ele me deu no nosso primeiro aniversário e quanto a lingerie, bem, nem vou falar nisso. Mas podem imaginar. Uma única peça, da cor do vestido e minúscula, invisível pelo lado de trás.
Quem me manda ser parva?
Não vem e não telefona. É um urso, o homem. Em compensação, o rapaz louro, um pouco cliché de fotografias de moda (magro, tipo intelectual, olhos verdes claros, óculos redondos, cabelo de melena lisa na testa), está a dizer-me coisas bem interessantes. Tem umas mãos bonitas, de unhas muito rentes e dedos longos. Usa uma óptima água-de-colónia. Está a convidar-me para jantar.
Do moreno, nem rasto. O telemóvel continua mudo. Faço, engulindo o orgulho, uma última tentativa. Está desligado.
Pois muito bem. Vou aceitar jantar com o louro e se o moreno vier, que não vem, despejo todas as minhas razões de queixa e enfio-lhe o diamante no copo de uísque, como vejo fazer no cinema.
Abro um grande sorriso para a esquerda e o telefone toca. O ouvido nem quer acreditar que é o meu. Atendo com ar frio e distante. Ele fala.
Eu não sei que magia tem a voz deste homem no telemóvel que me ouço (e o louro também) dizer:
-Sim, meu amor. Não, não esperei nada, cheguei agora mesmo. Amo-te muito, vem depressa...
Estão a perguntar-me pelo louro? Qual louro? Eu nem gosto de louros..."

Rosa Lobato Faria



Faltou o diamante para ser verdade.

domingo, janeiro 16, 2005

Arquitectura

"A Arquitectura é como um gato que se deita ao sol."

Eduardo Souto de Moura




"...em Arquitectura o contrário também é verdade."

Fernando Távora

terça-feira, janeiro 11, 2005

Branco

O frio faz-me mergulhar em pensamentos perdidos. De repente dou por mim a relembrar coisas que julgava já ter esquecido...ideias do passado, olhares antigos, sons de outrora.
À minha frente uma folha de esquiço em branco, sem nada de novo para contar, espera ansiosamente que a colecção sem fim de grafites a percorra e lhe traga novas histórias, novas vidas, novos traços. Não lhe concedo esse desejo. Olho pela janela... Lá fora milhares de cores confundem-se com a caixa de lápis que tenho em cima do estirador. A luz do candeeiro cria um palco debaixo dos meus olhos. Cenógrafa, coreógrafa, crio um bailado. A sombra dos bailarinos sobre a folha branca, entre piruetas, pas-de-chats e balancés, devolve-lhe a vida. Subitamente, senti imensas saudades das minhas sapatilhas de pontas, do ritual de apertar as fitas de cetim em torno da perna...
Saí e fui dançar.

Walk Away

Oooo no
here comes that sun again
that means another day without you my friend
and it hurts me to look into the mirror at myself
and it hurts even more to have to be with somebody else
and its so hard to do
and so easy to say
but sometimes
sometimes
you just have to walk away
walk away

so many people to love in my life
why do i worry about one
but you put the happy in my ness
you put the good times into my fun

and its so hard to do
and so easy to say
sometimes
sometimes
you just have to walk away
walk away
and head for the door

we've tried the goodbyes
so many days
we walk in the same direction
so that we could never stray
they say if you love somebody
then you have got to set them free
but i would rather be locked to you than live in this pain and misery
they say that time, will make all this go away
but its time that has taken my tomorrows and turned them into yesterday
and once again that rising sun is a droppin on down
and once again you my friend are no where to be found

and its so hard to do, and so easy to say
but sometimes
sometimes
you just have to walk away
walk away
and head for the door
you just walk away
walk away
walk away.....
just walk on
walk on
turn and head for the door....
walk away


Ben Harper

domingo, janeiro 09, 2005

Show me

Ainda não percebi.
Mostra-me para que eu possa perceber.

sábado, janeiro 01, 2005

She Will Be Loved

"Beauty queen of only eighteen
She had some trouble with herself
He was always there to help her
She always belonged to someone else

I drove for miles and miles
And wound up at your door
I've had you so many times but somehow
I want more

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
She will be loved

Tap on my window knock on my door
I want to make you feel beautiful
I know I tend to get so insecure
It doesn't matter anymore

It's not always rainbows and butterflies
It's compromise that moves us along
My heart is full and my door's always open
You can come anytime you want

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
She will be loved

I know where you hide
Alone in your car
Know all of the things that make you who you are
I know that goodbye means nothing at all
Comes back and begs me to catch her every time she falls

Tap on my window knock on my door
I want to make you feel beautiful

I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain
Look for the girl with the broken smile
Ask her if she wants to stay awhile
And she will be loved
And she will be loved
And she will be loved
And she will be loved

Please don't try so hard to say goodbye
Please don't try so hard to say goodbye

Yeah
I don't mind spending everyday
Out on your corner in the pouring rain

Try so hard to say goodbye"


Maroon 5